Convento da Madre de Deus de Sá de Aveiro
Informação não tratada arquivisticamente.
Nível de descrição
Fundo
Código de referência
PT/AUC/MC/CMDEUSAVR
Tipo de título
Formal
Título
Convento da Madre de Deus de Sá de Aveiro
Datas de produção
1506
a
1889
Datas de acumulação
1644-1885
Dimensão e suporte
38 u. i. (24 cx., 14 liv.); papel.
Extensões
24 Caixas
14 Livros
Entidade detentora
Arquivo da Universidade de Coimbra
História administrativa/biográfica/familiar
O Convento da Madre de Deus de Sá de Aveiro era feminino e pertencia à ordem de S. Francisco. Fundado em 1644, pelas religiosas que vieram do Mosteiro de Nossa Senhora do Loreto, situado na vila de Almeida, pois que a guerra que então havia entre o Reino de Portugal e o de Castela ameaçava-lhes a vida monástica. Motivo que levou grande parte das religiosas a saírem do mesmo e refugiarem-se em Aveiro, após terem obtido o beneplácito de D. João IV (1640-1656) e as mais licenças necessárias.Fizeram-se as freiras acompanhar de uma imagem de Nossa Senhora, com cinco palmos de altura, pelo padre provincial e por outras pessoas ilustres, tendo sido recebidas com grandes honras, pelos locais por onde passaram. Chegadas a Aveiro no dia 22 de julho do ano de 1644, hospedaram-se no palácio de dona Brites de Lara e Meneses a qual lhes ofereceu uma habitação no sítio dos Ferreiros, para aí fundarem um Convento.As freiras renunciaram esta oferta, porque já tinham recebido por doação de umas casas com seu pomar, no lugar de Sá, extra muros de Aveiro, que lhes fizera dona Maria Ferreira, viúva de Manuel Barreto Sernige, fidalgo da Casa Real de Sua Majestade.No dia 2 de agosto desse mesmo ano, acompanhadas pelos religiosos de S. Domingos e de toda a nobreza aveirense, tomaram então posse do dito lugar e aí começaram a viver. Dona Maria Ferreira como fundadora deste Convento da Madre de Deus, nele viveu até morrer, deixando o Convento como herdeiro de todos os seus bens, conforme consta no seu testamento datado de 25 de agosto de 1646.Podemos afirmar que mal foi fundado o Convento começou logo com problemas judiciais com Filipe Barreto Sernige, descendente dos Sernige, que lutou pelos seus direitos ao Morgado, juntamente com a Confraria de Nossa Senhora de Sá.Esta contenda levou a que o convento perdesse o Morgado de Sernige e nos anos seguintes, devido à má gestão, o seu estado de pobreza se tenha agravando de tal maneira, que em 1795, por determinação régia de 11 de maio, se autoriza-se as religiosas a poderem sustentarem-se das tenças e prestações que lhes fizeram seus parentes.O Convento da Madre de Deus recebeu ao longo da sua vida educandas, coristas, seculares e criadas, cujas idades de entrada estão documentadas, entre os 3 e os 50 anos de idade, e que de alguma forma educou, protegeu e preparou para a vida.Em 1 de janeiro de 1862 um grande incêndio destruiu grande parte deste Convento.Em 13 de fevereiro de 1885, por Despacho do Ministério da Justiça foi este Convento suprimido e a sua última religiosa, Madre Ana Benedita de S. Miguel, foi viver para Fermelã (Estarreja), onde veio a falecer em 29 de setembro de 1889.
Âmbito e conteúdo
Inclui privilégios, doações, provisões régias, documentos emitidos pela Santa Sé, como breves papais. Compreende vários processos cíveis, sentenças e demandas, destacando a contenda entre o convento e Filipe Barreto Sernige, escrituras de aforamento, de compra e venda, de empréstimo de dinheiro, salientando o Livro Mestre de empréstimo de dinheiro a juro e dos foros do convento da Madre de Deus de Aveiro, 1641-1856, o qual identifica o local, o ano da escritura, o que paga e quando paga, por cada foro. Contém ainda os Livros das Matrículas no Mosteiro, bem como os Processos de coristas, criadas, educandas e seculares, para poderem ingressar no convento. De salientar o Inventário do convento da Madre de Deus de Aveiro, 1506 -1884 (Inventário dos bens), que contém a Relação do pessoal do convento, com data de entrada das religiosas, meninas de coro, seculares, criadas da comunidade e criadas particulares, entrevadas e educandas, relativa ao ano de 1856.Integra, ainda, o livro da memória histórica, denominado “Arquivo Compendioso ou Colecção pronta de Notícias”.
Sistema de organização
A documentação que se encontrava instalada em maços e caixas foi objeto de intervenção, não só de análise de conteúdo mas, também, do seu acondicionamento físico. A documentação foi colocada em pastas.A organização do fundo obedeceu à natureza dos documentos, tendo sido agrupados em 39 séries documentais, que estão ordenadas alfabeticamente e, por sua vez, os documentos de cada série encontram-se ordenados cronologicamente.
Idioma e escrita
Português
Notas de publicação
Referência bibliográficaCapelo, L. C. (2013). Inventário do Mosteiro da Madre de Deus de Sá de Aveiro. Boletim do Arquivo da Universidade de Coimbra, 26, 39-64.
Referência bibliográficaROCHA, Hugo Calão (2009) – O Convento da Madre de Deus de Sá em Aveiro : dos objectos às devoções: um espólio do Museu de Aveiro. (tese de mestrado em História e Património, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto).
Data de publicação
17/05/2021 16:12:46