O arquivo de Júlio de Castilho foi repartido entre a Torre do Tombo e o Instituto de Coimbra, por disposição testamentária em 1913.
A parte do fundo entregue à Torre do Tombo é constituída pela sua documentação pessoal, pela coleção olissiponense e por documentação pertencente a seu pai António Feliciano de Castilho, enquanto ao Instituto de Coimbra coube a parte inédita da obra Memórias de Castilho.
Presume-se que, ao entregar as respetivas partes às duas instituições, tenham sido trocadas algumas caixas de documentos, uma vez que ficou na posse do Instituto de Coimbra documentação pertencente a António Feliciano de Castilho e no Arquivo Nacional existem partes de provas tipográficas da obra Memórias de Castilho.
Para além desta perda, encontra-se incompleto o arquivo que ingressou no Instituto de Coimbra. É referida a existência de originais manuscritos em correspondência deste arquivo, mas não se conhece o seu paradeiro atual.
A obra Memórias de Castilho teve a 1ª edição do autor, impressa pela Academia Real das Ciências, dos Livros I e II, em 1881. A revista do Instituto de Coimbra deu continuidade ao projeto, publicando em fascículos os Livros III a XI, entre 1891 e 1914.
Antes de concluir a publicação, o autor lega em testamento à sociedade a parte inédita da obra. Trata-se das provas tipográficas dos 11 livros das Memórias de Castilho, revistas pelo autor, para compor a 2ª edição da obra em volumes.
Em 1901, o Instituto de Coimbra propõe a edição, que é iniciada com a impressão do Livro I, mas não tem continuidade por insuficiência de recursos financeiros. Após a morte de Júlio de Castilho a direção da sociedade retoma o projeto da 2ª edição, com a publicação em volume dos Livros I a VII, entre 1926 e 1934, que é interrompida pela extinção da Imprensa da Universidade de Coimbra.
No cinquentenário da morte do autor, a Liga dos Amigos de Lisboa, por intermédio da Câmara Municipal de Lisboa, entra em contacto com o Instituto de Coimbra no sentido de concluir a edição, que não se concretizou por motivo desconhecido.
A obra Memórias de Castilho, parcialmente publicada por três vezes, nunca teve uma edição completa.